quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
INCENSOS... OLHARES
Ontem revi saudoso um trecho de minha vida, dêsse tempo inovidável em que era o maior rival que Cristo possuia em nossa Igreja, onde, dia a dia, as suas devotas passavam para o numero fantastico das minhas admiradoras. Era um domingo de maio, alvo e perfumoso, com lindas figuras de mulher ao redor do altar, numa escadaria que fizeramos até alcançar o nicho da virgem. Dentre tôdas, ela emergia na força da sua sedutora da carnação morena, rija e vivacíssima. Os seus olhos projetavam mais luz do que todos os focos do templo. Aquêle jôrro luminoso e quente me envolvia inteiro do mais terrível dos incêndios em que me encontrei na vida. Tôdas as minhas orações subiam até ele e para ela se dirigiam as baforadas de incenso que minha mão agitava trêmula e nervosa. Ah! Eugênia! por que foi que deram aos turibulos a forma disfarçada de um coração? Naquele momento eu tinha nas mãos o meu ardente coração de moço brasileiro, inflamado turibulo rubro, que agitava na mais nervosa oblata de perfumes, que fêz na terra. Subi, incenso, evolai, perfumai, emblasamai, odorizai a beleza de seu roisto, a formusura, a graça da sua carnação de mulher sedutora, vós, novelos de fragrância, volutas de aromas, símbolos que dois do meu desesperado amor, do meu inutil amor, do meu desgraçado amor.
E as nuvens de perfume subiam, redemoinhando, envolvendo-a por completo. Ela compreendia, jogando-me daquel nicho de santa, ela, mais formosa do que a propria Vigem Maria, os seus melhores olhares de incontida e muito declarada paixão. A ti, minha querida, devo confessar que amei loucamente a essa criatura fatal... Sim, a essa criatura fatal! Por amor do seu amor suportei as maiores aflições da vida, banimentos, humilhações, desprezos, injurias e até o dia em que para sempre a morte nos separou. O coração foi quem a matou, num colapso letal. Nunca a posso entretanto esquecer; todos os anos, neste lindo mês de maio, ressurge o meu amor. É com o prazer de quem vai reencontrar-se com alguem que tanto amou, que entro soberbo e triunfal para as ceirimônias de Maria. Ao redor do seu nincho, entre cânticos dos anjos e as volutas do incenso que minha mão esparge no ar, diviso aquela que amei, quando no peito ainda possuia um coração tropical. A minha mão ainda se agita, mas, cansadamente, com a lentidão de quem diz um adeus, um grande adeus, um amargurado adeus> Sim, como uem diz um adeus amargurado! E ela compreende. Eugênia, fitando-me ainda do alto com aquele seu inesquecido olhar. Um diluvio de pranto embaça o clarão dos seus olhos e dos meus, derramdo-se por êste meu rosto que traz em cada ruga uma paixão sepulta e em cada sulco um sonho desfeito. Ontem foi assim... Inuldado ainda das suas lagrimas é que hoje te escrevo. Sou só na vida, me amor, não tenho sequer que me enxugue o prato que o amor me faz verter. Ah! se encontrasse alguem que tivesse pena de mim!
E as nuvens de perfume subiam, redemoinhando, envolvendo-a por completo. Ela compreendia, jogando-me daquel nicho de santa, ela, mais formosa do que a propria Vigem Maria, os seus melhores olhares de incontida e muito declarada paixão. A ti, minha querida, devo confessar que amei loucamente a essa criatura fatal... Sim, a essa criatura fatal! Por amor do seu amor suportei as maiores aflições da vida, banimentos, humilhações, desprezos, injurias e até o dia em que para sempre a morte nos separou. O coração foi quem a matou, num colapso letal. Nunca a posso entretanto esquecer; todos os anos, neste lindo mês de maio, ressurge o meu amor. É com o prazer de quem vai reencontrar-se com alguem que tanto amou, que entro soberbo e triunfal para as ceirimônias de Maria. Ao redor do seu nincho, entre cânticos dos anjos e as volutas do incenso que minha mão esparge no ar, diviso aquela que amei, quando no peito ainda possuia um coração tropical. A minha mão ainda se agita, mas, cansadamente, com a lentidão de quem diz um adeus, um grande adeus, um amargurado adeus> Sim, como uem diz um adeus amargurado! E ela compreende. Eugênia, fitando-me ainda do alto com aquele seu inesquecido olhar. Um diluvio de pranto embaça o clarão dos seus olhos e dos meus, derramdo-se por êste meu rosto que traz em cada ruga uma paixão sepulta e em cada sulco um sonho desfeito. Ontem foi assim... Inuldado ainda das suas lagrimas é que hoje te escrevo. Sou só na vida, me amor, não tenho sequer que me enxugue o prato que o amor me faz verter. Ah! se encontrasse alguem que tivesse pena de mim!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
MEUS OLHOS ESTÂO EM FESTA
Meus olhos estão em festa, e por isso pede o meu coração a Deus que prolongue indefinidamente os dias de inverno que atravessamos. São Paulo espõe nos movimentados mostruários das suas ruas tudo que é de mais famoso vivia oculto nas redomas dos lares. Que lindas moças passam por estas frígidas enervantes tardes paulistanas ! Nem sei qual é o tipo preferivel, porque todos possuem o encanto próprio da sua estatura. No fundo frouxamente iluminado da tarde agonizante surgem mulheres altas e esguias, de colo branco e garganta ebúrnea, voluptosamente envôltas em peles bem mais felizes do que nós, nesse contato de licioso da carne quente e acetinada, por que não poderemos, por um golpe de magia, desfazer-nos do corpo lerdo que temos para surgir transformados nesses adornos, por um momento que fosse? Chegar a boca aos ouvidos de quem se adora e dizer-lhe as confidências que marulham no mar vemelho do coração e que nunca hão de ferir os ares indiscretos das ruas... Sentir de encontro ao nosso peito áspero de homem, a carícia redonda e macia dêsse busto de mulher amada... Colar, enfim, lábios contra lábios, na trnasfusão da febre que chamamos amor... Tudo são loucuras que o frio de São Paulo inspira a quem, como eu, vive só, longe de qualquer caricia faminina. Imagino o que não posso realizar se os meus olhos sonham descobrir, em cada mulher bonita, uma namorada a mais.
Por isso, vivem eles em festa, rogando a Deus que prolongue, indefinitamente, os dias frios de São Paulo hibernais. Passam depois, na meia luz do crepúsculo, no aperto da rua Direita, outras mulheres, de meia altura, firmes e moças. Vem apertadas em casacos macios, que se amoldam perfeitamente ás forma do corpo, pondo-se em resalto. Adivinha-se a côr rosada e latejante da epiderme que ela ocultam e nada a mais delicioso do que adivinhar pela imaginação aquilo que. muitas vezes, a brutalidade real da visão objetiva mata e destroi. Oh ! se pudéssemos tomar elesticidade de certos tecidos fofos e calorentos para aplicar-nod a essas epidermes cor de rosa e leite que a força da juventude anima e aquece. Elas passam e, no ar quase gelado da tarde, vão deixando essa mistura inexplicável de perfume e de calor, de côres e de sombra. que faz a delicia de meus olhos solitários. Deverei deter, um dia, a mais formosa de todas para dizer-lhe a tortura de minha solidão? Deverei contar-lhe as tormentas do meu silencio na mais barulhenta das cidades brasileiraS? Não, abosolutamente não! meus olhos são vagabudos insaciáveis e nunca poderiam adormecer tranquilos, cheios da beleza de uma única mulher. Eles necessuitam de todas as que passam pelas ruas, até da feias, para compor com todos os tipos a ilusão de que eles se alimentam... Como quedar-me acalmado diante de única formosa? Nunca! Perece-me que temos o infinito dentro de nós, não o coração que é cego, maa nos olhos que não se satisfazem jamais. E quando passarem êstes dias nevoentos, como ficarão os meus olhos? Encher-se-ão de cismas e de mágoas gotejadas, depois em lagrimas de saudades? Ó Senhor! prolonga o inverno de São Paulo para que os meus olhos vivam em festa, longe das águas amargasde que sempre inundados! Faze que as mulheres se multipliquem nestas tardes a fim de estadear um pouco da imagem refletida na beleza de seus rostos, a fim de que meus olhos cantem a tua gloria, cantando a formusura das tuas mulheres!
Por isso, vivem eles em festa, rogando a Deus que prolongue, indefinitamente, os dias frios de São Paulo hibernais. Passam depois, na meia luz do crepúsculo, no aperto da rua Direita, outras mulheres, de meia altura, firmes e moças. Vem apertadas em casacos macios, que se amoldam perfeitamente ás forma do corpo, pondo-se em resalto. Adivinha-se a côr rosada e latejante da epiderme que ela ocultam e nada a mais delicioso do que adivinhar pela imaginação aquilo que. muitas vezes, a brutalidade real da visão objetiva mata e destroi. Oh ! se pudéssemos tomar elesticidade de certos tecidos fofos e calorentos para aplicar-nod a essas epidermes cor de rosa e leite que a força da juventude anima e aquece. Elas passam e, no ar quase gelado da tarde, vão deixando essa mistura inexplicável de perfume e de calor, de côres e de sombra. que faz a delicia de meus olhos solitários. Deverei deter, um dia, a mais formosa de todas para dizer-lhe a tortura de minha solidão? Deverei contar-lhe as tormentas do meu silencio na mais barulhenta das cidades brasileiraS? Não, abosolutamente não! meus olhos são vagabudos insaciáveis e nunca poderiam adormecer tranquilos, cheios da beleza de uma única mulher. Eles necessuitam de todas as que passam pelas ruas, até da feias, para compor com todos os tipos a ilusão de que eles se alimentam... Como quedar-me acalmado diante de única formosa? Nunca! Perece-me que temos o infinito dentro de nós, não o coração que é cego, maa nos olhos que não se satisfazem jamais. E quando passarem êstes dias nevoentos, como ficarão os meus olhos? Encher-se-ão de cismas e de mágoas gotejadas, depois em lagrimas de saudades? Ó Senhor! prolonga o inverno de São Paulo para que os meus olhos vivam em festa, longe das águas amargasde que sempre inundados! Faze que as mulheres se multipliquem nestas tardes a fim de estadear um pouco da imagem refletida na beleza de seus rostos, a fim de que meus olhos cantem a tua gloria, cantando a formusura das tuas mulheres!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
CORAÇÃO QUE SE ENREGELOU
No umido frio destas hibernosas tards paulistas tenho suspirado por acalenta-me à tepidez de tua juventude tropica. Não imaginas como é cruel o frio no coração dos velhos, principalmente, a mim, visionario do passado, eterno evocador dos diasde sol qque já se anoiteceram na minha alma... tranzem-me estas tarde de São Paulo a lembrança de tantos corações que se esfriaram, assim, de repente, em plena estação calmosa. Que coisa amarga é o inverno do amor, o enregelar-se de um coração que se cansou de amar! Quantos não tive eu, como chamas, em minhas mãos, e que depois, gelados, me fizeram tremer a distância... Ninguem foi mais iludido do que eu: Olhos nenhum viram mais sinceridade do os meus, ainda quando a hipocrisia chamejava nos olhares cúpidos e traidores das suseranas do meu afeto. Recordo-me do último sarau em que nossa velha e inesquecida casa senhoril... Eu tina dezoito anos, o que importa muito, pois, é a quadra de tôdas as generosidades e de todos os sacrificios pelo menos, no homem; na mulher, não sei... Ela teria menos, uns dezesseis anos se tanto. A noite inteira passamos juntos, a embeber-nos de amor, olhos postos dentro de cada olhar, esquecidos da vida, em pleno sonho, envoltos pela mais fragil e dourada das ilusões. Tu serás só meu. Sim, só teu, únicamente para o teu amor... mas vais deixar-me... Deixar-te ? Vou apenas estudar e dentro de cada letra, na extenção de cada palavra, nos menor dos sons, no mais exígno átomo de beleza, tu vibrarás na minha lembrança, dento de minha saudade. Tu, sim, meu ídolo, é que ne poderás esquecer, aqui, onde a tua formosura desperta admiradores nos próprios espinhos que te querem ferir, por amar-te... Eu esquecer-te? Juro pelas estrelas que nos ouvem, pelo Deus que trago neste colar. Como sabes mentir os lábios da mulher enganosa! Desculpe-me Eugênia, mas, é a verdade. Penso que dentre todas do mundo, uma só não mintiu, não enganou; minha mãe.
Anos depois nas férias de julho, numa noite fria, tal como as noites de São Paulo, encontramo-nos de novo, num lindo sarau de arte, em casa amiga. Procurei-a. Recebendo-me, assim, como nos recebem as noites de inverno, em plena rua deserta; friamente. Apresentou-me o seu noivo e falou, pedantemente, perguntando-me dos meus estudos. Disse-lhe que ia muito bem, com especialidade em astronômia, pois que as estrelas me eram de grande consolo, verdadeiras confidentes. Desconfiou logo do meu alvo e com o maior cinismo discorreu acêrca do perigo de fitar estrelas. Depois, como o noivo lhe perguntasse se me conhecia de há muito tempo, explicou-
lhe que não, apenas de déspera, apresentado por uma amiguinha comum. A orquestra iniciou uma valsa qualquer e amobos, para alivio meu, saíram dançando com infinita placidez.
Nunca senti tanto frio como naquela noite e parece-me que até hoje o sinto, êsse frio apertar-me o coração. Já reparaste em certos tipos que vibem de contínuo encapotados, tremendo sempre, sem jamais encontrarem calor que os aqueça? Tenho nêles outros companeiros meus, amantes sinceros que viram, numa noite de inverno, enregelar-se algum falso amor, algum falso coração, Fica-lhes depois êsse frio tão entranhado na alma, que a menor oscilação de temperatura lhes basta para sentir contrafeita a existência, obscurecido o mundo, detestável o viver. Nenhum outro carinho consegue reconfortar o coração que descreu, nem mesmo êste amor divino que Cristo veio trazer a Terra. Quase meio século já se foi que frade me fiz e por Deus me suicidei; entretanto, nas tardes melancolicas dêste clima paulista, quando uma garoa tinge de cinza a celagem fatal do céu que nos espia carrancudo e mau, sinto como se uma ponta de gêlo, no íntimo do coração, renascer-me a recordação cruel dessa noite em que ela me desconheceu e por ortro mais rico talvéz, me substituiu, na venalidade de sua alma sem dó nem amor. Hoje estou assim, trêmulo de frio, tiritando e sem gôsto, sem coragem ate para suster a pena amargurada com que te escrevo. É a ponta de gêlo que já se aguçou, qua já me fêz sentir, mais doloroda agora, pois mais velho e sentimental, mais sensível e afetuoso, todo me contristo e em mágoas me desfaço ao simples aceno do inverno. Pesponde-me logo para que eu me acalente, me escalde no braseiro das tuas ilusões de oça, que ainda acredita na sinceridade do verbo amar.
Anos depois nas férias de julho, numa noite fria, tal como as noites de São Paulo, encontramo-nos de novo, num lindo sarau de arte, em casa amiga. Procurei-a. Recebendo-me, assim, como nos recebem as noites de inverno, em plena rua deserta; friamente. Apresentou-me o seu noivo e falou, pedantemente, perguntando-me dos meus estudos. Disse-lhe que ia muito bem, com especialidade em astronômia, pois que as estrelas me eram de grande consolo, verdadeiras confidentes. Desconfiou logo do meu alvo e com o maior cinismo discorreu acêrca do perigo de fitar estrelas. Depois, como o noivo lhe perguntasse se me conhecia de há muito tempo, explicou-
lhe que não, apenas de déspera, apresentado por uma amiguinha comum. A orquestra iniciou uma valsa qualquer e amobos, para alivio meu, saíram dançando com infinita placidez.
Nunca senti tanto frio como naquela noite e parece-me que até hoje o sinto, êsse frio apertar-me o coração. Já reparaste em certos tipos que vibem de contínuo encapotados, tremendo sempre, sem jamais encontrarem calor que os aqueça? Tenho nêles outros companeiros meus, amantes sinceros que viram, numa noite de inverno, enregelar-se algum falso amor, algum falso coração, Fica-lhes depois êsse frio tão entranhado na alma, que a menor oscilação de temperatura lhes basta para sentir contrafeita a existência, obscurecido o mundo, detestável o viver. Nenhum outro carinho consegue reconfortar o coração que descreu, nem mesmo êste amor divino que Cristo veio trazer a Terra. Quase meio século já se foi que frade me fiz e por Deus me suicidei; entretanto, nas tardes melancolicas dêste clima paulista, quando uma garoa tinge de cinza a celagem fatal do céu que nos espia carrancudo e mau, sinto como se uma ponta de gêlo, no íntimo do coração, renascer-me a recordação cruel dessa noite em que ela me desconheceu e por ortro mais rico talvéz, me substituiu, na venalidade de sua alma sem dó nem amor. Hoje estou assim, trêmulo de frio, tiritando e sem gôsto, sem coragem ate para suster a pena amargurada com que te escrevo. É a ponta de gêlo que já se aguçou, qua já me fêz sentir, mais doloroda agora, pois mais velho e sentimental, mais sensível e afetuoso, todo me contristo e em mágoas me desfaço ao simples aceno do inverno. Pesponde-me logo para que eu me acalente, me escalde no braseiro das tuas ilusões de oça, que ainda acredita na sinceridade do verbo amar.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A LOURA FATAL
CONHECI-O nos meus primeiros anos de vida religiosa. Viajáramos juntos, no mesmo carro e no caustro, tivemos as mesma aspirações, os mesmos sonhos. Ambos nascidos para a eloquencia, nutrimos a ilusão de arrebatar os povos com a nossa palavra. Confesso que ele era mais vivaz e eu mais profundo; que ele arrebatava e eu apenas convencia. Porque arrebatava, desapareceu no arrebatamento do seu carater e aqui fiquei por me haver convencido de que deveria ficar. Grande alma, coração não menor, chamava-se Atanásio. Feio nome, não é? É nunca o ouviste; no calor da sua palavra, toda a rudeza física se sobredoirava de uma facinação irresistivel e as almas femininas adoravam-no gulosamente. Numa festa religiosas a que fôra pregar, seduziu-o o fulgor de uma cabeça loura e refressou ao mosteiro inteiramente trnstornado. Surpreendi-o a chorar, numa tarde, quando as sombras enchiam os longos corredores do convento. Tomei-lhe sôbre o meu peito acabeça congestionada de ilusões e falei-lhe de Deus e da mulher, da terra que passa e o céu que permanece. Não me entendia; a visçao daquela cabeça loura lhe transtornara o espirito e a lembrança dos proprios votos já lhe não pesava mais na conciência.
Veio a Semana Santa e o grande sermão do Mandato lhe foi confiado. Deveria falar da festa do amor, da epopéia do coração. E quem melhor do que falaria do amor, se dele trazia o coração a fremir? Falou fantasticamente bem mais humanamente. Num momento patético, quando decrevia a tortura de quem nasceu para o amor sem, entretanto, poder amar entre as muitas pessoas que se comoviam, notei, a pouca distância, uma cabeça loura que tremia convulsa...
Na manhã de pascoa, na neblina leve que poétizava a procissão da madrugada ao lado do meu companheiro de cilício e burel, acompanhou-o sempre um vulto, uma silhueta, uma sombra, que era quase de anjo se não fosse de Satanás. No dia seguinte, no meu genuflexório, tarjada de negro, achei uma carta. Encerrava as suas despedidas. O clautro já não o encantava mais, errara o seu caminho, fora louco em pensar que poderia, no ardor dos 20 anos, calar a voz do coração despertado pelo amor. Fugia, pois, para o mundo que tanto combatera e por que fôra vencido. Que eu rezasse por ele, que lhe perdoasse a loucura daquele ato e se um dia, pobre ou desgraçado o encontrasse, fosse para com ele o bom samaritano do Evangelho. Fugiu o meu companheiro, deixou a paz dêste mosteiro silencioso para cair no verdadeiro inferno de que falam as Escrituras. Quando Frei Atan´sio se apresentou em casa de Eunice, a loura, e com um mundo de ilusões na alma, aquela cabecinha loura que o conturbara, que o arrebatara do convento, recebe-o friamente e à queima-roupa lhe disse: "Voce era lindo de batina, mas assim... que deselegancia de porte, que mal gosto no vestir-se ! Parece-me que já não tenho diante de mim aquele formoso pregador da Semana Santa; perdeu-se o encanto daque habito que me seduzia... Você é como êsses milheres que rodeiam a minha janela. Não seria melhor que voltasse para o seu mosteiro?"
Louco, sem uma palavra sequer, voltou-se para a rua e desapareceu. Numa cidade proxima havia um colegioonde precisava de um professor. O grade prepara do trânsfuga infeliz foi aceito e, por um esforço de vontade sôbre-humano, esqueceu-se Eunice. Numa das festas do Colégio, o Dr. Atanásio conheceu uma moça. Atraiu-lhe a atenção a grande tristeza que derramada havia naque rosto de mulher. Depois de algumas visitas conheceram-se mais intimamente.
Os romances eram identicos; tambem ela fora vitima de uma ilusão amorosa; rica, mandara a estudar um seu primo, com a condição explicita de casar-se com ele após a formatura. Terminados os estudos, nomeado promotor numa cidade do país, la se ouvidou da prima benfeitora pelos olhos claros da filha do juiz da comarca. Desta forma, naquela cidade onde o meu companheiro era professor , se encontrava dois despeitados e, ela para fazer pirraça a Eunice que o despresara; e ela, para fazer acinte ao primo que a esquecera, se casaram. Não havia um amor muito vivo nessas núpcias; havia um desejo multuo de se vingarem ambos dos corações ingratos que os tinham olvidado. Desde êsse tempo é que detesto as cabeças louras e os olhos claros. Há nessese esplendores de sol o reflexo fulvo das chamas do inferno
Veio a Semana Santa e o grande sermão do Mandato lhe foi confiado. Deveria falar da festa do amor, da epopéia do coração. E quem melhor do que falaria do amor, se dele trazia o coração a fremir? Falou fantasticamente bem mais humanamente. Num momento patético, quando decrevia a tortura de quem nasceu para o amor sem, entretanto, poder amar entre as muitas pessoas que se comoviam, notei, a pouca distância, uma cabeça loura que tremia convulsa...
Na manhã de pascoa, na neblina leve que poétizava a procissão da madrugada ao lado do meu companheiro de cilício e burel, acompanhou-o sempre um vulto, uma silhueta, uma sombra, que era quase de anjo se não fosse de Satanás. No dia seguinte, no meu genuflexório, tarjada de negro, achei uma carta. Encerrava as suas despedidas. O clautro já não o encantava mais, errara o seu caminho, fora louco em pensar que poderia, no ardor dos 20 anos, calar a voz do coração despertado pelo amor. Fugia, pois, para o mundo que tanto combatera e por que fôra vencido. Que eu rezasse por ele, que lhe perdoasse a loucura daquele ato e se um dia, pobre ou desgraçado o encontrasse, fosse para com ele o bom samaritano do Evangelho. Fugiu o meu companheiro, deixou a paz dêste mosteiro silencioso para cair no verdadeiro inferno de que falam as Escrituras. Quando Frei Atan´sio se apresentou em casa de Eunice, a loura, e com um mundo de ilusões na alma, aquela cabecinha loura que o conturbara, que o arrebatara do convento, recebe-o friamente e à queima-roupa lhe disse: "Voce era lindo de batina, mas assim... que deselegancia de porte, que mal gosto no vestir-se ! Parece-me que já não tenho diante de mim aquele formoso pregador da Semana Santa; perdeu-se o encanto daque habito que me seduzia... Você é como êsses milheres que rodeiam a minha janela. Não seria melhor que voltasse para o seu mosteiro?"
Louco, sem uma palavra sequer, voltou-se para a rua e desapareceu. Numa cidade proxima havia um colegioonde precisava de um professor. O grade prepara do trânsfuga infeliz foi aceito e, por um esforço de vontade sôbre-humano, esqueceu-se Eunice. Numa das festas do Colégio, o Dr. Atanásio conheceu uma moça. Atraiu-lhe a atenção a grande tristeza que derramada havia naque rosto de mulher. Depois de algumas visitas conheceram-se mais intimamente.
Os romances eram identicos; tambem ela fora vitima de uma ilusão amorosa; rica, mandara a estudar um seu primo, com a condição explicita de casar-se com ele após a formatura. Terminados os estudos, nomeado promotor numa cidade do país, la se ouvidou da prima benfeitora pelos olhos claros da filha do juiz da comarca. Desta forma, naquela cidade onde o meu companheiro era professor , se encontrava dois despeitados e, ela para fazer pirraça a Eunice que o despresara; e ela, para fazer acinte ao primo que a esquecera, se casaram. Não havia um amor muito vivo nessas núpcias; havia um desejo multuo de se vingarem ambos dos corações ingratos que os tinham olvidado. Desde êsse tempo é que detesto as cabeças louras e os olhos claros. Há nessese esplendores de sol o reflexo fulvo das chamas do inferno
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Quarta-Feira de cinzas amanheceu chuvosa e triste. Parece-me que toda a saudade do carnaval se projetava na colagem gris do dia enublado. Havia um grande sofrimento espalhado na atmosfera e um desejo inexplicavel de chorar me invadia como se houvesse perdido um grande bem da minha vda, o meu próprio coração. Vinha do meu intimo essa vontade infantil de chorar muito, a grandes soluços, num lugar onde todos me vissem chorando, tal como Jeremias que foi prantear no meio das ruinas da Cidade Santa, no momento em que todos passavam pelo cativeiro. Alguma coisa de muito desagradável me ia acontecer, pois assim me pressagiava o coração, Tentei uma cena de Teatro, uma coisa qualquer que distraisse, que me chamasse a atenção de todos, que me fizesse o homem d dia e talvez de sempre, falando em todas as conversações do local. De religião, minha querida, não tinha nessa época, nem o tamanho de um grão de mostarda. Depois, o vigario, homem rancoroso e político, inimigo da nossa familia por questões muito antigas, não me inspirava outro pensamento que não fosse o de coloca-lo em irrsão e escândalo. Imaginei pois um escândalo em plena igreja paroquial, naquele dia de penitência, únicamente para atrair a atenção do público e assim revelar-me aos comparças daquela noite de baile, em casa de Julieta. Sabes o que resolvi? Apresentar-me na igreja, e tomar cizas com meu traje de dominó tristonio da primeira noite. Minha familia, meu pai por exelencia, ameaçou-me de expulsar de casa se tentasse semelhante escandalo. Quem pode, porem, com a mocidade estróina e enfatuada? Por uma porta pouco frequentada do templo, ingressei naquela manhã que dissidiu da minha vida. Ia encolto numa grande capa espanhola que me ocultava o traje ridículo e atentatório à santidade do lugar. Quando mais repleta estava a matriz, do meu posto notava a curiosidade dos meus companheiros de baile, olhando sempre para qualquer pessoa que entrasse, na esperança de ver o sinal estranho, que o macarado prometera para aquela missa. No momento em que o vigario, depois d explicar o simbolismo das cinzas, descia do altar para a mesa da comunhão, onde numerosas pessoas se ajoelhavam para a cerimônia, bem do fundo sem capa espanhola, subi, mascilento dominó roxo com o meu rosto a descoberto.
Não houve surpêsa, houve espanto, ouve repulsa, houve indignação. Notei que Julita havia desmaiado e que o vigario,colérico, acenava para alguem, chamando-o. Esse alguem era o meu Pai. Ele subiu tambem, venerado na sua roupa preta, onde a cabeça branca era um pouco de luar. Chegou-se a mim e expulsou-me do templo, da familia tambem. Já não me recordo de como saí daquela missa, mas a atitude do meu progenitor calou-me muito mais do que se o céu, rasgando-se, me amaldiçoasse. Nunca mais alguem me viu na minha terra natal, a não ser dez anos depois, quando êste hábito já me envolvia na sua estamenha da penitência e que sob ele, outro coração pulsava inteiramente mudado, inteiramente morto. Foi assim minha querida Eugênia, numa espetaculosae saerflega tristeza, que me consumou a morte de meu amor, do meu único amor, criança que talvez brilhe transformada em luz, nalguma estrêla no céu, para assistir a meus passos aqui na vida escura de quem, tanto amado, já não pode mais amar. Então Julieta morreu? Nauela quarta-feira de cizas havia na celagem triste do dia chuvoso uma grande mâgoa diluida e do meu interior ascendia-me até os olhos uma vontade infantil de chorar. Parecia-me que ia perder um grande bem, o maior da minha vida e perdi na verdade: dez anos de ausência não permitiram colher, no desfalecimento final da agonia de Julieta, o seu ultimo olhar, o maior bem que já possui na terra.
Não houve surpêsa, houve espanto, ouve repulsa, houve indignação. Notei que Julita havia desmaiado e que o vigario,colérico, acenava para alguem, chamando-o. Esse alguem era o meu Pai. Ele subiu tambem, venerado na sua roupa preta, onde a cabeça branca era um pouco de luar. Chegou-se a mim e expulsou-me do templo, da familia tambem. Já não me recordo de como saí daquela missa, mas a atitude do meu progenitor calou-me muito mais do que se o céu, rasgando-se, me amaldiçoasse. Nunca mais alguem me viu na minha terra natal, a não ser dez anos depois, quando êste hábito já me envolvia na sua estamenha da penitência e que sob ele, outro coração pulsava inteiramente mudado, inteiramente morto. Foi assim minha querida Eugênia, numa espetaculosae saerflega tristeza, que me consumou a morte de meu amor, do meu único amor, criança que talvez brilhe transformada em luz, nalguma estrêla no céu, para assistir a meus passos aqui na vida escura de quem, tanto amado, já não pode mais amar. Então Julieta morreu? Nauela quarta-feira de cizas havia na celagem triste do dia chuvoso uma grande mâgoa diluida e do meu interior ascendia-me até os olhos uma vontade infantil de chorar. Parecia-me que ia perder um grande bem, o maior da minha vida e perdi na verdade: dez anos de ausência não permitiram colher, no desfalecimento final da agonia de Julieta, o seu ultimo olhar, o maior bem que já possui na terra.
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