Ontem revi saudoso um trecho de minha vida, dêsse tempo inovidável em que era o maior rival que Cristo possuia em nossa Igreja, onde, dia a dia, as suas devotas passavam para o numero fantastico das minhas admiradoras. Era um domingo de maio, alvo e perfumoso, com lindas figuras de mulher ao redor do altar, numa escadaria que fizeramos até alcançar o nicho da virgem. Dentre tôdas, ela emergia na força da sua sedutora da carnação morena, rija e vivacíssima. Os seus olhos projetavam mais luz do que todos os focos do templo. Aquêle jôrro luminoso e quente me envolvia inteiro do mais terrível dos incêndios em que me encontrei na vida. Tôdas as minhas orações subiam até ele e para ela se dirigiam as baforadas de incenso que minha mão agitava trêmula e nervosa. Ah! Eugênia! por que foi que deram aos turibulos a forma disfarçada de um coração? Naquele momento eu tinha nas mãos o meu ardente coração de moço brasileiro, inflamado turibulo rubro, que agitava na mais nervosa oblata de perfumes, que fêz na terra. Subi, incenso, evolai, perfumai, emblasamai, odorizai a beleza de seu roisto, a formusura, a graça da sua carnação de mulher sedutora, vós, novelos de fragrância, volutas de aromas, símbolos que dois do meu desesperado amor, do meu inutil amor, do meu desgraçado amor.
E as nuvens de perfume subiam, redemoinhando, envolvendo-a por completo. Ela compreendia, jogando-me daquel nicho de santa, ela, mais formosa do que a propria Vigem Maria, os seus melhores olhares de incontida e muito declarada paixão. A ti, minha querida, devo confessar que amei loucamente a essa criatura fatal... Sim, a essa criatura fatal! Por amor do seu amor suportei as maiores aflições da vida, banimentos, humilhações, desprezos, injurias e até o dia em que para sempre a morte nos separou. O coração foi quem a matou, num colapso letal. Nunca a posso entretanto esquecer; todos os anos, neste lindo mês de maio, ressurge o meu amor. É com o prazer de quem vai reencontrar-se com alguem que tanto amou, que entro soberbo e triunfal para as ceirimônias de Maria. Ao redor do seu nincho, entre cânticos dos anjos e as volutas do incenso que minha mão esparge no ar, diviso aquela que amei, quando no peito ainda possuia um coração tropical. A minha mão ainda se agita, mas, cansadamente, com a lentidão de quem diz um adeus, um grande adeus, um amargurado adeus> Sim, como uem diz um adeus amargurado! E ela compreende. Eugênia, fitando-me ainda do alto com aquele seu inesquecido olhar. Um diluvio de pranto embaça o clarão dos seus olhos e dos meus, derramdo-se por êste meu rosto que traz em cada ruga uma paixão sepulta e em cada sulco um sonho desfeito. Ontem foi assim... Inuldado ainda das suas lagrimas é que hoje te escrevo. Sou só na vida, me amor, não tenho sequer que me enxugue o prato que o amor me faz verter. Ah! se encontrasse alguem que tivesse pena de mim!
terça-feira, 21 de abril de 2009
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